INFLAMAÇÃO E MOTILIDADE GASTRINTESTINAL
INFLAMAÇÃO E MOTILIDADE GASTRO-INTESTINAL
O uso de antineoplásicos durante tratamento de pacientes com câncer produz importantes efeitos colaterais como a síndrome dispéptica e a mucosite intestinal. Os mecanismos envolvidos na fisiopatologia da síndrome dispéptica ainda não estão totalmente estabelecidos. Os sintomas de dismotilidade como a saciedade precoce, anorexia, náusea e vômitos são associados a um retardo do esvaziamento gástrico. Em outras condições, como infecções parasitárias e doenças inflamatórias intestinais, a inflamação intestinal está associada à dismotilidade gastrintestinal não somente no local da inflamação, mas também em sítios à distância. Um grande número de mediadores inflamatórios tem sido implicado em alterações, agudas e crônicas, da contractilidade da musculatura lisa do trato gastrintestinal induzida pela inflamação intestinal. A diarréia está presente com bastante frequência na mucosite intestinal associada à quimioterapia oncológica, e os mecanismos envolvidos na sua gênese não são bem definidos. Assim, a utilização de uma efetiva terapêutica para esta condição é um desafio na prática clínica.
A diarréia é um sintoma observado em aproximadamente 70% dos pacientes oncológicos em tratamento, atingindo em 24% desses o grau 3-4 (considerado grave). O desenvolvimento da mucosite intestinal parece ocorrer em três fases interligadas de disfunção epitelial: a fase inicial inflamatória, a fase de degradação epitelial e a fase de ulceração/bacteriana. Posteriormente, ocorre o restabelecimento da função epitelial. Recentemente demonstramos um importante papel das citocinas TNF-alfa, IL-1beta e KC na patogênese da mucosite intestinal induzida pelo (CPT-11), um inibidor da topoisomerase I. Assim, a dismotilidade gastrintestinal persiste mesmo com a resolução do processo inflamatório na mucosite experimental por 5-FU. A compreensão dos mecanismos envolvidos da fisiopatologia da mucosite intestinal por antineoplásicos deve permitir a modulação da resposta inflamatória que pode ser uma estratégia para reversão da dispepsia e da diarréia associada a esta síndrome.